Hoje lembrei-me de ti. Lembrei-me daquele dia. Lembrei-me DO dia. Eu tinha tantas dúvidas para esclarecer contigo… E tu nunca te mostraste aborrecido. Mantinhas o teu olhar firme e insensível sempre na direção da linha do horizonte. Aquele olhar de quem sabe tudo, porque já passou por tudo. Aquele olhar de nostalgia que sempre me disseste ser o único que conseguias ter quando te lembravas daquele tal passado que nunca me chagaste a contar por completo. Acho que me deixaste isso, de ti. O olhar imutável, para diante, para o infinito, quando falo de mim. Hoje recordei tudo. Não me perguntes porquê, mas fi-lo. Lembras-te de uma das ultimas perguntas que te fiz, quando me deste a notícia? Perguntei-te “Quanto tempo dura o que é eterno?”. Nesse momento paraste e regressaste da viagem pelo teu pensamento. O teu olhar distante, moveu-se, no espaço de segundos, para a direção do meu. Olhaste-me nos olhos. Uma pergunta à qual não tinhas resposta imediata. Sorri para dentro. Continuaste a olhar-me nos olhos e eu decidi-me a falar com o meu olhar, também. Não sabias responder, mas eu queria mesmo saber a resposta. Voltaste a desviar o olhar sem dizer uma única palavra, e o meu interrogatório prosseguiu. No final, afirmaste com o teu ar sábio, só teu: “Se o “eterno” a que te referes for “nada”, então dura para sempre.” E eu, que nesse último dia, estava revoltada com o mundo, perguntei-te: “E se me referir a “tudo”?”

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