sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Saudade?

Tenho saudades de 2010. Tenho saudades de proferir apenas frases declarativas e afirmativas. Tenho saudades de pensar em cores quentes. Tenho saudades de não me importar com as opiniões que se formam acerca de mim e da minha pessoa.  Tenho saudades de andar por andar. Tenho saudades de querer crescer. Tenho saudades de fugir de tudo e estar só comigo. Tenho saudades de estar contigo e com ela e com ele. Tenho saudades de vocês. Tenho saudades da minha gente toda unida como outrora esteve. Tenho saudades de errar sem medo. Tenho saudades do Sol. Tenho saudades da Lua. Tenho saudades de dizer o que quero. Tenho saudades de não pensar demais. Tenho saudades de não me importar com a imagem que passo de mim. Tenho saudades de ouvir. Tenho saudades das minhas coisas. Tenho saudades de rir até ficar sem jeito. Tenho saudades daqueles sentimentos tão puros. Tenho saudades da liberdade. Tenho saudades de ter um objectivo. Tenho saudades da felicidade. Tenho saudades de me sentir única e especial. Tenho saudades de ir, sem medo de nunca mais voltar. Tenho saudades de achar que teria apenas memórias boas. Tenho saudades de ler. Tenho saudades de não saber o que é a ilusão ou a desilusão. Tenho saudades de abraçar com sentimento. Tenho saudades da sorte. Tenho saudades de sonhar o mais alto possível. Tenho saudades de querer, poder e ter. Tenho saudades de ganhar. Tenho saudades dos Sempres. Tenho saudades de apenas ter medo de vir algum dia a ter medo. Tenho saudades do passado. Tenho saudades de passar apenas bons momentos. Tenho saudades do presente. Tenho ainda mais saudades do futuro. Tenho saudades da confiança. Tenho saudades da segurança. Tenho saudades de fazer o que tenho a certeza que está correcto. Tenho saudades de fazer por fazer. Tenho saudades de pensar que o final é sempre feliz. Tenho saudades de ser vencedora. Tenho saudades de viver num mundo cor-de-rosa. Tenho saudades da ambição. Tenho saudades daquele sorriso verdadeiro. Tenho saudades de não precisar de escrever.  Tenho saudades de só conseguir desabafar com a Lua.  Tenho saudades de não contar. Tenho saudades de cantar com vocês. Tenho saudades de dançar. Tenho saudades de ser extravagante com sentimento.  Tenho saudades de desenhar como desenhei, sem ninguém saber. Tenho saudades do tempo. Tenho saudades de sentir. Tenho saudades de não saber sofrer.  Tenho saudades de não me importar. Tenho saudades das mudanças. Tenho saudades de ser eu. Tenho saudades de mim. Tenho saudades de ti. Tenho saudades de não precisar de nada, por já ter tudo. Tenho saudades de não pedir, por não precisar. Tenho saudades de não ter a necessidade de frizar os meus sentimentos. Tenho saudades de não precisar de algo, para me lembrar, para me trazer memórias. Tenho saudades de ser "fácil" e compreendida por todos. Tenho saudades de mais mil e uma coisas e acontecimentos passados e futuros. E, acima de tudo, tenho saudades de não sentir a saudade.  



"A casa da saudade chama-se memória, é uma cabana pequenina a um canto do coração." Sim, eu sinto saudade. Sim, é algo novo em mim. Sim, já aprendi o que é. Não, não gostei muito.
                                                                

domingo, 26 de dezembro de 2010

Confesso - I

E quando dizias que gostavas mesmo de mim? Adorava, admito-o, agora já sem medos. E quando tentavas, indirectamente, dizer-me o que achavas e pensavas de mim? Eu percebi tudo, confesso, embora te tenha feito dizeres tudo directamente; sentimentos complexos descritos em palavras simples… “És difícil.”, afirmaste. Não me importei, nada me fascinava mais que saber exactamente, sem a mínima dúvida, o que realmente pensavas que eu era. Numa coisa acertaste em cheio e ainda hoje não sei como nem porquê: “ (…) demoras assim tanto ou nunca mostras realmente os teus sentimentos?!”, fiquei perplexa, a olhar-te fixamente. Nem eu própria me tinha ainda apercebido que havia realmente razões e fundamentos para essa questão me ser colocada. Pedi-te que tentasses, tu, perceber como funcionava eu. Achei (pura ignorância minha, claro) que não tinhas encontrado a melhor resposta à tua própria pergunta, nesses teus escassos minutos de procura. Suspirei de alivio.  (...)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Sou

Imatura? Deixa ser. Infantil? Pois sou. Criança? É o meu sonho. Só elas são livres de dizer o que pensam e sentem. Só elas são ingénuas ao ponto de não saberem o Porquê. Só elas não sabem nem querem saber. Ser criança é o que todos nunca deveriam deixar de ser. É ser maior que tudo. É a melhor fase de todas. É o que nos faz acreditar, mesmo sabendo que não é o melhor, que vamos perder, que vamos sofrer. Ser criança é voar mais alto, sem se preocupar com queda. É nunca desistir de nada. É confiar em todos. É esquecer antes de perdoar, mesmo sem dar por isso. É não ter medos nem inseguranças. É não pensar antes de agir, e agir por impulso, no momento. Só elas conseguem fazer amizades sem precisarem de apresentações. Só elas acreditam realmente na palavra. Ser criança é ser superior ao adulto. É prestar atenção às coisas insignificantes que, juntas, são o significado de tudo. É ser feliz todos os dias. É sorrir porque está sol. É querer viver para sempre. É aceitar as ideias dos outros. É ter tantos amigos, quantas as pessoas que se conhece. É errar diariamente e aprender com isso. Ser criança é o que eu quero ser hoje e sempre. É o que eu nunca quero deixar de ser. Sou imatura, sou infantil, sim. E criança?


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

"Tudo vai, tudo vem. Mas quem vai e depois volta, nunca encontra o mesmo que deixou quando paritiu." Eu parti, é verdade. Contudo, há que ter em consideração que a decisão não foi totalmente minha. Não queria, nunca pedi nada disto. Não tive culpa, ninguém teve. O medo não me deixou lutar contra tudo. A insegurança de não ser capaz ultrapassou as minhas forças. Eternamente frustrada, talvez. Um sacrificio que ninguém imagina. Passei vários capitulos já escritos e planeados, capitulos importantes, os mais importantes, para agora viver do improviso. Estou perdida, sabes isso melhor que eu mesma. Não o aceito, não consigo nem quero. Não sei como fazê-lo. Desculpa, um dia vais perceber, eu sei que vais.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Para quê?

Para quê amar?!
Para quê desejar o infinito?!
Para quê sentir?!
Para quê desejar a presença e difamar a ausencia?!
...se tudo acabará um dia?
Nada vai restar para além de uma simples memória, oca, abstracta. O concreto já terá passado, já se terá dissipado por completo com a felicidade do momento. Ficará apenas a recordação de tentarmos, a todo o custo, sermos o mais feliz possivel. Ou o mais parecido com tal sentimento. Enganamo-nos tantas vezes... A felicidade não é algo fácil. Precisamos de nos sentir concretizados para sermos felizes. O que vai restar? Uma saudade; uma ausencia de um ser, de um sentimento; algo forte, mas passado. Passado frio, apenas por ser passado. Passado sofrido, por voltar a ser desejado. Amaste? Significou?
 O mais que se possa imaginar. Valeu a pena? Se valeu... Esqueceste?    ...

domingo, 12 de dezembro de 2010

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Estava tudo tão calmo, tão sereno. Era mesmo um daqueles dias em que o Sol ficava amarelo explosivo, o verde dos campos brilhava e se tornava difícil aceitar que as coisas tivessem um fim. Era apenas isto. Não podia nem queria evitar: tinha consigo, finalmente, colocar tudo em ordem. Estava extraordinário, inacreditável; estava mesmo bem. Era como se as 15 peças da minha vida estivessem todas perfeitamente unidas; era como se estes pedaços de mim estivessem encaixados e nunca mais ninguém os conseguisse desmanchar. Ilusão minha; a pura e dura ilusão. Começo a não ter vontade de ir e a detestar a ideia de ficar...  (...)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Fraca.

Sempre consegui fazer coisas que julgava não conseguir. Coisas difíceis, todas elas. Nunca soube como, sabia apenas que o fazia e adorava quando acontecia. Mas desta vez não. Nunca senti tanta inveja junta. Desta vez, a coragem não veio no momento, veio posteriormente, quando já não era precisa. Um erro. Um grande erro. Talvez até o maior erro, aquele que só daqui a muito tempo me vai realmente fazer perceber que podia sofrer um pouco, mas quem sofre sente, quem sente luta e quem luta, vence. Se sairia vencedora, ninguém jamais saberá. Por enquanto, tento convencer-me de que não, não sairia. Sempre acalmo um pouco mais a minha consciência; consciência essa de quem conhece tudo e sabe que seria perfeitamente capaz de vencer. Naquele momento senti-me fraca. A pessoa mais fraca do mundo. Aprendendo da forma mais dura o real significado desta palavra.

31-08-2010