Era quinta-feira. Aula da natação. Estava deprimida, como se faz hábito desde há uns tempos. Sempre me fizera bem nadar um bocado, esquecia-me, por momentos, de tudo e concentrava-me em aprender a nadar decentemente bruços. Mas este dia foi diferente. Comecei a pensar em tudo e mais tudo. Estava chateada com o mundo. Nadei rápido. Relembrei momentos. Nadei ainda mais rápido. Relembrei promessas. Continuei a nadar. Apercebi-me de que tinha conseguido o que queria, embora o temesse mais do que tudo. Não estava sozinha, nunca estive. Mas começo a fartar-me seriamente disto. Nadei mais rápido ainda. Estava desiludida por ter sido eu a dizê-lo, sabendo que iria acontecer, mas só agora cair na realidade de que vai mesmo ser assim e não pode ser de outra maneira. “Passa, Inês”, não me tinha apercebido que não tinha deixado espaço nenhum. Passei e continuei a nadar. Tentei concentrar-me no que estava a fazer: “… direita, esquerda, respira…”. Não demorei muito a perder-me completamente e voltar a trazer à memória os melhores momentos, os piores momentos. As palavras. As frases ditas com cuidado com o intuito de não magoar, embora ambas as pessoas soubessem que a outra sentia o mesmo. Ninguém quer magoar ninguém e, por isso, fingem que o Hoje nunca chegou, fingem que ainda estão no Ontem. Dei por mim a precisar e parar um bocado. Já nem conseguia coordenar convenientemente a minha respiração. Até os pulmões estavam descoordenados. Complica-se tudo quando se misturam as coisas. Mas porque é que isto tem de ser assim?! … “ É difícil, não é?! Parece muito mais simples quando vemos de fora…” Demorei algum tempo a perceber que a professora se estava a referir ao exercício que nos mandara fazer “ ’Bora, Inês, fazes muito melhor que isso, pá!”. Faço?! Será que faço?! Se fosse há sensivelmente 5 ou 6 meses atrás diria sem a mínima dúvida: “Faço, sim.” Mas agora, agora está tudo diferente.
Apetece-me informar-te: foste a personagem principal deste dia. Sem saber como, ia tudo dar a ti.
Sem comentários:
Enviar um comentário