Hoje apetecia-me falar com a vida. Apetecia-me pedir-lhe as justificações de tudo ter mudado. O porquê, o como. Apetecia-me discutir com ela e dizer-lhe tudo o que penso; e dizer-lhe que nem ela me serve de nada, agora. Contudo, cheguei depois à conclusão de que fui eu que o pedi e desejei com todas as minhas forças, no passado. Queria apenas explicar-lhe que desejei uma mudança brusca, sim, mas para melhor. Tenho a certeza de todos os argumentos que ela usaria para se defender das minhas acusações e dou-lhe razão em alguns… não em todos. Não pedi nada disto. Não quero, não gosto. E nem sequer consigo aceitá-lo. Estou a demorar demasiado tempo a habituar-me e não percebo porquê. Nunca fui assim, nunca reagi assim a nada, nunca foi assim tão complicado. Agora desejo que volte tudo ao mesmo, que volte a sentir como sentia, a acreditar como acreditava, a confiar como confiava, a sorrir como sorria, a fazer como fazia, a perceber como percebia. Agora desejo a minha vida de sonho de volta. Sou obrigada a ambicionar nem um décimo daquilo que ambicionei em tempos. Mas antes, a vida devia explicar-me o que me fez. O que me fez a mim e o porquê de mo ter feito. O porquê de me ter mudado, de os ter mudado, de ter mudado tudo. Exijo uma explicação de como funcionam as coisas agora, do que devo fazer, com quem e quando. Exijo que me mostre um caminho sem obstáculo algum, por não ter mais fontes de forças para os enfrentar como enfrentaria. Exijo que me ajude a compreender a pessoa em que me tornou.
Um dia, vou perguntar-te o porquê de me teres oferecido o balão do Acreditar, mas me teres deixado a voar sozinha.
Um dia, vou perguntar-te o porquê de me teres oferecido o balão do Acreditar, mas me teres deixado a voar sozinha.
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