quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Lembras-te quando sonhávamos que aquilo fosse assim para sempre? Lembras-te quando te dizia que era impossível mudar alguma coisa? E quando fazíamos o que queríamos e acabávamos a rir até nos doer as bochechas? Lembras-te quando me afastava de todos para estar só contigo e comigo, connosco? E ainda quando só nós sabíamos o que sentíamos e tínhamos os nossos próprios segredos, os nossos dias, os nossos momentos, que eram iguais, exactamente os mesmos? Lembras-te quando planeávamos o futuro, que parecia estar tão certo que seria mesmo assim? Lembras-te quando sonhava alto e só tu percebias o real significado do que eu afirmava? E quando te abraçava do nada? Lembras-te? Lembras-te? Eu lembro-me, e não gosto nada. Com todo o respeito, mas divagar sobre o passado não é para mim. O passado? Sim, o passado. Estávamos à espera de quê? Achávamos mesmo que tudo ficaria igual? Não acreditaste quando te disse que iria mudar tudo, radicalmente. Não acreditaste. Não te culpo por nada. Nem a ti, nem a mim. Ninguém tem culpa. Tentei explicar-te isto: “ Não vai ser por eu querer ou tu quereres, vai apenas acontecer, porque tem de ser assim, porque não conseguiremos evitar, eu sei que vai.” Deparo-me com todas as nossas fotografias, tiradas nos melhores momentos e não tenho reacção; reaparo nos sorrisos, nas caras alegres e relembro a felicidade do momento... "Começo a ter uma fome suave, depois percebo que é a saudade." Agora, estamos mais longe que nunca. Dois mundos opostos. Pouco em comum, quase nada, se é que resta mesmo algo. Não sabes tudo, mas sabes muito, sabes o essencial. Sabes que eu, pelo menos eu, mudei. Talvez tenha até mudado muito, não sei dizer-te com precisão. Houve demasiados acontecimentos, nestes últimos tempos. Talvez te deva um pedido de desculpas por tudo isto. Volto a afirmar: não te culpo. Mas lembras-te ainda do que me disseste tu? “Só vai acontecer, se tu quiseres, porque eu não quero.” E eu, queria? Agora já és capaz de perceber por que razão eu te abraçava todos os dias, por que razão eu tinha a necessidade de te dizer que gostava de ti como nunca gostara de ninguém, por que razão eu queria estar sempre contigo. Eu ajudo-te: era por isto.

Queria apenas dizer-te que te amo, e que o teu lugar será sempre teu, aconteça o que acontecer. Amo-te. Amo-te mesmo.

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