Eu tive medo, muito. Quantas vezes pedi, implorei por que aquele dia nunca chagasse? Nem eu sei bem. Sei que foram muitas, demasiadas vezes. E agora? Agora não há volta a dar. Não vai voltar a ser como era, como foi. E sabes o que mais me irrita? Irrita-me nem teres dado por isso. Irrita-me achares que tudo é fácil. Queres uma novidade? Não, não é fácil. E não sou uma boneca que quando te apetece brincar um pouco vais buscar e que passado algum tempo pões na prateleira para só voltares a pegar nela quando te apetecer de novo ou perceberes que afinal até tens mais uma coisa engraçada com quem brincar. Quando estamos em sintonia tudo é simples, mas deixámos de estar. E acredita que me custou. Custou muito. Eu disse-o em voz alta, para ver se me entrava mesmo na cabeça “Esquece, se não quer, não vais ser tu a querer. Há mais gente no mundo. Melhor? Talvez sim, talvez não. São diferentes. Mas isso não é necessariamente mau, sabes disso. Se calhar é mesmo bom, se calhar é mesmo o melhor.” Não me arrependo de nada. Há pouco tempo cruzei-me com uma pessoa, não estava nos meus dias, por tua causa “Conheces o Charlie Chaplin?” “Sim…” “Durante a nossa vida conhecemos pessoas que vêm e que ficam. Outras que vêm e passam. Existem aquelas que vêm, ficam e depois de algum tempo se vão. Mas existem aquelas que vêm e se vão com uma enorme vontade de ficar… Não te preocupes, conheces mas gente capaz de te dar tanto ou mais ainda. O tempo vai ser sempre o melhor remédio, mas os seus resultados nem sempre são imediatos. Há que aprender a esperar.” “E se eu não quiser perder ninguém? E se não me apetecer esperar? E se eu estiver farta disto?” “Não tens de querer ou de deixar de querer, se te faz sofrer, obviamente não te merece. Não tem de apetecer. Vais aprender a esperar sem ansiar que chegue outro alguém. É óbvio que estás farta, mas não faças nada de que te arrependas. Não sejas dura nem insensível. Aguarda.” “Tu não me conheces.” “Tu também não me conheces. Mas vais levar as minhas palavras a sério. Eu sei que vais.” “Vou?” “Vais.”. E a verdade é que levei mesmo. Era um daqueles dias em que nem me apetecia esconder o que eu sentia. Era um daqueles dias em que se viesses falar comigo ou acabávamos com um sorriso estampado na cara ou a caminhar em sentidos opostos. Apetecia-me estar sozinha e ter o meu momento. E sabes? Eu aprendi a viver com pessoas novas. E gostei da sensação. Agora já não sei se fui uma daquelas pessoas que veio, ficou e passado algum tempo se foi. Agora já não sei se fui uma daquelas pessoas que veio e que se foi com uma enorme vontade de ficar…
Beijo no nariz, Tchinky.
Sem comentários:
Enviar um comentário