terça-feira, 19 de julho de 2011

"Putxie pu, where are you?"

Tenho saudades da menina que era querida e simpática. Tenho saudades da menina que queria ser amiga de todos e em quem todos confiavam. Tenho saudades de saber mil e um segredos de pessoas diferentes. Tenho saudades de me dar com todos e de ser aquela a quem todos recorriam sempre que estavam em baixo. Tenho saudades de ouvir Eu adoro-te por isto: por teres sempre um sorriso estampado na cara, que não sai por nada!. Tenho saudades de não ser insensível e conseguir ajudar quem quero. Tenho saudades de fazer parvoíces com as minhas amigas no meio da rua e sermos olhadas de lado. Tenho saudades de ser ingénua e não saber nada da vida. Tenho saudades de conseguir começar uma conversa e não a querer acabar. Tenho saudades de não ser sempre julgada nas primeiras impressões que têm a meu respeito. Tenho saudades de conhecer pessoas novas e de ter novas amizades. Tenho saudades de não ter medo dos outros e de não me preocupar com a imagem que passei de mim. Tenho saudades de rir, rir, rir e só para porque me começa a doer as bochechas e os abdominais. Tenho saudades de gozar com tudo e com todos. Mas sabem uma coisa? As coisas à minha volta mudaram. Todas. E agora estam à espera de quê?! De eu ser a mesma? De ter sempre um sorriso estampado na cara? Não consigo, desculpem. É por isto que me dizem que mudei? Porque já não rio tanto? Porque já não estou lá sempre que precisam? Porque agora sou convencida e arrogante ou orgulhosa e indiferente? Sabem perfeitamente que não o sou. Aliás, sabem perfeitamente que encontro em todas as outras pessoas algo melhor do que eu vejo em mim. Sabem que não tenho manias de que sou melhor que os outros. Sabem que não me acho superior a ninguém. Talvez até possa ter um pouco de orgulho e transmita indiferença. O orgulho já veio comigo, mas não sou assim tão orgulhosa quanto isso. Quando acho que são os outros que devem vir, são eles que vêm. Indiferente? Sim. As pessoas é que sabem o que sentem. Querem cagar? Caguem. Mas não esperem que eu também não cague. Tu cagas, eu cago. Reparem bem: eu pensava tão pouco em mim! Eu dava tudo por aqueles de quem gostava e de vez em quando quem ficava prejudicada sou eu mesma. E nunca ninguém reparou nisto. Eu admito que não seja uma pessoa que me dou a todos, que não seja uma pessoa da qual todos saibam a vida. E não o quero. Talvez duas ou três pessoas saibam quase tudo sobre mim. E chega bem. Se a restante gente não se mostra interessada no verdadeiro lado das coisas, não o sabe. Se mudei? Não, eu sou a mesma. Os meus sentimentos, esses sim mudaram radicalmente. Os meus sentimentos e as minhas opiniões sobre tudo. Mas continuo a sorrir, não necessariamente por estar feliz, mas por ser um antídoto contra maus pensamentos. Mas sabem que mais? Eu também choro. Eu também me agarrei a uma almofada sentada no chão e chorei. Chorei muito. Eu também sofro. Sofro com isto tudo. Eu também tenho medo, tenho muito medo. Porquê? Porque também já passei por acontecimentos difíceis, sabem. Mas eu prefiro não preocupar os outros. Prefiro passar a imagem de aquela que está sempre feliz e de bem com a vida. Daquela que apesar de ter problemas, não se preocupa e caga em tudo. Porém, esta imagem de menina-boa só é passada a quem me conhece. A quem conhece a Inês. E só aqueles que, para além de conhecerem a Inês, me conhecem a mim, conseguem dizer algo como Quem te tem a ti, tem o mundo, Inês. E não deixes que ninguém te diga o contrário., algo do género Apesar desse egocentrismo todo, não mudes nunca, é o que faz do teu ser genuíno e único . Venero as pessoas que conseguem ver para além da imagem que eu passei. Venero as pessoas de pensam que existo eu, atrás da máscara de quem não se importa. Venero-os. Embora continue com saudades de mim no passado, não vou voltar a ser a mesma. Não sei se me apetece. Queria só que percebessem que eu sou daquelas pessoas que nunca mostro quem realmente sou a quem não conheço. E que se me quiserem julgar, julguem. Mas façam-no sabendo do que falam e tenho certezas daquilo que dizem. Era só isto. E agora? Agora vou mesmo cagar em tudo e em todos. Vou deixar para traz as desilusões e fazer com que fique tudo bem de novo. Vou mostrar-me a gente nova e estranha à minha vida. Não me vou importar com nada. Só quero os meus amigos e a minha confiança de volta. Quero encontrar-me a mim e à Inês. Quero ser feliz no pouco tempo que resta e sorrir porque sim. Quero mostrar-me de bem com a vida. Quero ser eu sem medo. E vou sê-lo. Fica aqui o desabafo.

But you should.

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